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O
Samoiedo é um cão muito robusto e com pouca predisposição para a
doença.
Desde que seja escovado com regularidade, a fim de o precaver contra
alguns males de pele, desparasitado pelo menos de 6 em 6 meses e
vacinado anualmente, não vai ter com certeza problemas com o seu amigo.
No entanto convém não esquecer que uma alimentação desregrada ou
imprópria é, na maior parte das vezes, a causa de muitas doenças.
Lembre-se que prevenir é mais fácil que curar. E quase sempre
mais barato!!!
De alguns pontos de vista o cão pode considerar-se como um recém-nascido
que não tem a possibilidade de expressar as suas sensações
verbalmente, mas apenas através de comportamentos específicos e sons
particulares. Por isso, se notar algo de diferente no comportamento
habitual do seu Samoiedo (gemidos, abatimento, não querer brincar,
falta de apetite, pêlo opaco, etc.,) meça-lhe a temperatura rectal
utilizando um termómetro normal. O velho método de apalpar o nariz do
cão para ver se tem febre nem sempre resulta.
A temperatura normal é: nos cachorros (38 - 39) e nos adultos (37,5 -
38,5), embora possa aumentar um grau quando o animal está excitado. Por
isso é preferível medir a temperatura quando o animal estiver calmo.
O processo resume-se à introdução no ânus da ponta de um termómetro
lubrificado, mantendo-o nessa posição durante pelo menos um minuto.
Uma temperatura superior a 40ºC é anormal e indica geralmente uma
perturbação passageira ou uma doença em incubação. Se a temperatura
se elevar a 40,5ºC, ou mais, é aconselhável levar o animal ao
veterinário o mais depressa possível.
Preste no entanto particular atenção às seguintes situações:
A vacinação
- Algumas doenças infecciosas são muito graves e se não forem
detectadas atempadamente podem ser de muito difícil tratamento ou mesmo
mortais. É por isso imprescindível que vacine o seu Samoiedo.
Um dos esquemas de vacinação mais eficazes consiste no seguinte:
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Idade |
Vacina contra |
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6
semanas |
Parvovirose |
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8
semanas |
Parvovirose,
Esgana, Hepatite vírica e Leptospirose |
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12
semanas (é um reforço da anterior) |
Parvovirose,
Esgana, Hepatite vírica e Leptospirose |
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16
semanas |
Raiva |
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Reforço
das vacinas anualmente
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Certas raças, entre as quais o Samoiedo, por vezes não respondem de
forma muito
eficaz às vacinas sendo necessário fazer mais reforços.
Só 15 dias depois da última dose de vacina, ou do reforço anual, é
que os animais estão realmente protegidos, por isso, durante esse
período: não lhe dê banho nem o leve a passear para locais onde
circulem cães desconhecidos.
Nunca coloque um cachorro que ainda não tem todas as vacinas, no chão
da clínica veterinária.
Golpes de
calor - Acontecem sobretudo nas estações quentes, quando
se
deixa o cão fechado num local quente e/ou com pouca ventilação, como
por exemplo dentro do automóvel.
Para manter a sua temperatura corporal o cão geralmente procura
superfícies frias ou locais sombrios. Ao não poder fazê-lo, aumenta a
ventilação pulmonar, o que muitas vezes não é suficiente.
Os sintomas de um golpe de calor
são: o animal cambaleia, aumento
considerável da temperatura rectal, pele quente e seca, aumento da
pulsação, dificuldades respiratórias a que sobrevêm o colapso e
morte.
Por isso, na presença destes sintomas trate de diminuir a
temperatura corporal do cão, por exemplo envolvendo-o em panos
molhados, ou se possível, submergindo-o em água fria. A seguir,
coloque-o num lugar tranquilo, fresco e sombrio e chame urgentemente o
veterinário.
Tenha em atenção que mesmo que não esteja muito calor, a ansiedade ou
o stress podem ter os mesmos efeitos.
Displasia da
anca - Consiste na má formação da articulação
coxofemoral.
Incide sobre todas as raças de cães, principalmente nas
grandes e de crescimento rápido, como é o caso do nosso amigo
Samoiedo. Atinge igualmente machos e fêmeas podendo comprometer uma ou
as duas articulações.
A transmissão é hereditária, recessiva, isto é, só aparece quando
os dois progenitores são portadores, e intermitente. Uma vez que nem
todos os animais portadores de genes defeituosos apresentam alterações
que permitam diagnosticar uma displasia, esta também pode surgir por
influencia de outros condicionalismos como: a obesidade, esforços
excessivos, pisos lisos, etc.
Os sintomas da doença aparecem normalmente entre os 4 e os 7 meses de
idade e baseia-se na dor. O animal coxeia, tem dificuldade em mover-se
em pisos lisos, movimenta-se pouco, etc. O diagnóstico é realizado
somente através de radiografia.
É uma doença grave, apenas possível de controlar através da
selecção criteriosa dos animais utilizados na reprodução. É sem dúvida um problema que diz respeito a todos os que de
alguma forma lidam
com cães, pelo que seria natural esperar, que - à semelhança do que já se
faz em muitos países - quem tem maiores responsabilidades na
canicultura em Portugal fosse o primeiro interessado em estabelecer um
programa nacional de combate a esta e a outras doenças hereditárias.
Mas assim não é, e por isso cabe-nos a nós, simples proprietários e
amantes da raça, sermos conscienciosos. Antes de decidir se o
seu Samoiedo deve deixar descendentes, mande fazer-lhe uma radiografia das
articulações coxofemurais e aconselhe-se com o veterinário.
Colabore!
Recuse-se
a contribuir para o declínio de uma raça tão bela e que resiste há
tantos séculos.
Doenças dos
olhos - Uma criação responsável implica alguns cuidados a
que ninguém pode escusar-se.
Já vimos o caso da displasia da anca, onde a necessidade de radiografar
os "candidatos" a progenitores ficou bem patente. A mesma
questão se põe em relação às doenças dos olhos, onde o Samoiedo
parece estar incluído nas raças com maior incidência de problemas
oculares, como as cataratas e o glaucoma.
Só que aqui o problema é
ainda mais grave, e isto pela simples razão de que em Portugal não
existem veterinários com a especialidade de oftalmologia.
Perante esta situação impunha-se, mais uma vez, que a «entidade
dirigente da canicultura em Portugal» se dispusesse a, como é sua
obrigação, prestar auxílio técnico aos canicultores e às
associações suas filiadas, nomeadamente promovendo a vinda de especialistas
com o fim de proceder ao rastreio das doenças oculares no nosso país.
Mas, mais uma vez, nada se faz.
Porque será? É caro? Acham que entre nós não há problemas destes?
Ou têm receio do que os exames poderiam revelar?
Nos Estados Unidos - onde este tipo de exames é já uma prática
corrente - as estatísticas apontam para as seguintes percentagens entre
os Samoiedos: cataratas (12 - 15%), portadores (30 - 40%) e displasia
(12 - 15%).
Julgo caber aqui um
alerta muito especial para uma situação que,
infelizmente, não é tão rara como parece. É o caso do orgulhoso
proprietário que gosta de passear de automóvel com a janela aberta e o
cãozinho com a cabeça de fora.
Se é esse o seu caso, dê uma olhadela
no pára-brisas do carro e imagine o que aconteceria aos seus olhos se
ele lá não estivesse. Não iam estar muito saudáveis, pois não?
Então porque é que os olhos do seu cão são diferentes dos seus? Isto
para já não falar do facto de, apesar do seu cão ser o melhor
treinado do mundo, ninguém poder garantir que ele não salta pela
janela fora ou que não salta para cima do dono podendo provocar um
acidente.
No automóvel o cão deve ser sempre colocado dentro de uma
transportadora, ou então, solto na parte posterior do veículo, mas
tendo o cuidado de colocar uma rede ou grelha por forma a evitar que ele
salte, incomode ou distraia o condutor do veículo.
Um cão nunca deve andar solto dentro de um automóvel, e muito menos
pendurado de uma janela.
Dirofilariose
- Esta doença, mais conhecida como doença do verme do coração, é
uma doença que atinge milhares de cães em Portugal.
Embora a região
compreendida entre as bacias hidrográficas dos rios Tejo e Sado, seja
uma das zonas de maior incidência, muitas outras zonas do país também
já se encontram afectadas.
A doença é provocada por um verme que, no cão, se localiza
principalmente no lado direito do coração e respectivos vasos
adjacentes. Os agentes responsáveis pela dissimilação desta doença
são os mosquitos.
É uma doença grave, muitas vezes fatal, não
só pelos órgãos que
ataca mas também pelo tardar dos primeiros sintomas. O tratamento é
possível mas, além de dispendioso, envolve alguns riscos para o
animal. Por isso, mais uma vez, lembre-se que prevenir é mais fácil
que curar.
No caso desta doença a prevenção é possível, bastando para isso dar ao
seu cão um comprimido profiláctico uma vez por mês. No entanto, se
vai iniciar ou reiniciar este tratamento preventivo, deve levar o cão
ao veterinário a fim de efectuar o despiste da doença. Não se deve
fazer a prevenção a um animal que já é portador da doença.
Leishmaniose
- A mais terrível das doenças. Está largamente distribuída em
várias regiões do mundo, principalmente nas de clima quente.
Em Portugal e em muitos países mediterrânicos, é endémica.
A doença transmite-se exclusivamente através da picada de um mosquito,
não o vulgar mosquito, mas um outro muito mais pequeno chamado "Flébotomo",
não tendo sido até hoje demonstradas outras formas de contágio.
O
parasita uma vez inoculado, dissemina-se através da corrente sanguínea
atingindo diferentes órgãos, como por exemplo: baço, fígado, rins,
medula óssea, articulações, pele, etc., onde produzirá efeitos
altamente nocivos para o cão.
A gravidade e a velocidade da evolução da doença estão relacionadas
com o grau e intensidade da resposta imunitária. O período de
incubação é muito variável e dependente de muitos factores, podendo
ser de vários meses ou mesmo anos.
Não existe tratamento para esta doença. Contudo, quando se
verifica um diagnóstico precoce e é feito um tratamento adequado, é
possível controlar a Leishmaniose. No entanto o animal nunca se chega a
curar totalmente, sendo por isso necessárias visitas periódicas de
controlo veterinário.
Como se disse, a doença é transmitida exclusivamente através da
picada de um mosquito. Não existindo, como no caso da dirofilariose,
qualquer tipo de tratamento preventivo, a forma mais eficaz de
precaver-mos os nossos cães contra este terrível flagelo é a
pulverização do pêlo com um produto repelente de mosquitos.
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