|
Não
há nada de mais bonito do que um Samoiedo bem arranjado, nem nada que
mais chame a atenção do que um Samoiedo em más condições.
O pêlo
Ao ver um exemplar bem tratado, a reacção normal de quem pouco conhece
desta raça é «Que bonito! Deve dar muito trabalho!».
Se tivermos em conta que todos os cães, sem excepção, se sujam, e que
há uns em que a sujidade se nota menos que noutros e são mais fáceis
de limpar, não deixam de ter alguma razão. Basta pensar num Pastor
Belga Groenendael que, por ser preto, parece que está sempre limpo, ou
num Boxer, a que bastará passar um pano humedecido para que tenha uma
aparência aceitável, para desde logo perceber que quem tem um Samoiedo
vai ter de sofrer mais.
Uma das características da raça é a de ter o pêlo oleoso, o que,
se por um lado é uma qualidade por servir como protecção contra o
frio, por outro, é como um íman para o pó, a terra, a relva ou
qualquer outra substância que tenha capacidade colorante.
Se por
exemplo, já viu um Samoiedo a rebolar-se na relva, sabe de que é que
estou a falar. Fica verde.
Claro que se quiser evitar todos estes percalços, pode adoptar como
regra manter o cão afastado de todas as coisas que facilmente o possam
sujar, mas, a não ser que lhe queira dar uma vida de recluso, tem de se
resignar a vê-lo imaculadamente branco somente após o banho. A partir
daí, é sempre a sujar.
No entanto, não quero com isto dizer que
pelo simples facto de se terem
sujado necessitem imediatamente de um banho. Aliás, a grande maioria
das vezes, uma boa escovadela com um pouco de champô seco ou com pó de
talco, é mais que suficiente para devolver ao nosso Samoiedo uma
aparência que não nos deixe ficar mal. Noutras, o melhor mesmo é
avançar para a banheira.
Ora aqui é que começa a grande questão. Quantos banhos lhe devemos
dar? O menos possível? Dois, três, dez por ano? Todos os
fins-de-semana? Nunca?
Se
tivermos em atenção que: a água e o champô nunca fizeram mal a
um cão, que banhos constantes provocam a perda de oleosidade do pêlo e
consequentemente o tornam mais frágil e quebradiço, mas que, por outro
lado, a falta de banho favorece o aparecimento de irritações
cutâneas, a resposta só pode ser uma. Dê banho ao seu Samoiedo só, e
apenas só, quando for necessário para o bem estar geral do animal.
Nessa altura, use sempre água morna e a menor quantidade possível de
um champô especial para pêlos brancos. No entanto, como é óbvio,
deve evitar aqueles champôs que contêm bálsamos e amaciadores que
"amolecem" o pêlo.
Na última lavagem deve sempre ter o cuidado de
passar muito bem todo o pêlo por água limpa para eliminar todo o
champô. Se a pele ficar com resíduos de champô podem surgir problemas
de irritação, mais ou menos graves.
Após o banho tem de se pensar na secagem. Comece por utilizar umas
toalhas para absorver a maior parte da água e depois use uma escova, um
secador e... muita paciência.
Enquanto o pêlo não estiver
completamente seco, é preferível evitar que o animal se exponha a
correntes de ar para evitar que contraia uma infecção respiratória.
A menos que tenha um secador do tipo industrial, acredite que o grande
problema não é dar banho a um Samoiedo. É secá-lo!
Se não ficar realmente muito bem seco, o calor do corpo provoca a
evaporação da água contida no subpêlo e ao fim de algumas horas
parece que nem o secou.
Se a sujidade for apenas superficial é preferível optar por humedecer
o pêlo com um borrifador e depois polvilhá-lo com pó de talco. Deixe
secar, dê uma vigorosa escovadela, «et voilà!», um Samoiedo pronto
para exposição.
Independentemente dos banhos, deve escovar o seu Samoiedo com alguma
regularidade, por exemplo de 15 em 15 dias. Se o não fizer, favorece a
formação de nós que depois obrigam à utilização da tesoura.
Por
outro lado, escovadelas constantes podem debilitar o pêlo e torná-lo
quebradiço.
Pela mesma razão, a cardadeira apenas deve ser usada no
período da muda do pêlo.
Durante o resto do ano deve usar uma escova
com dentes metálicos e dois pentes: um com espaços largos entre os
dentes e outro com os dentes mais apertados.
Os pontos mais delicados, precisamente pela facilidade com que se formam
nós, são a parte posterior das orelhas (usar o pente de dentes
apertados), na zona lombar onde nasce a cauda e no pêlo que cobre a
parte posterior das patas traseiras (usar o pente de dentes largos). Se
não desfizer estes nós, eles aumentam rapidamente de volume e recolhem
toda a sujidade possível e imaginária.
Os olhos
É frequente verem-se cachorros Samoiedo com o pêlo junto
aos olhos de uma cor acastanhada (queimado) e com os olhos a lacrimejar.
Exceptuando casos mais complicados, isto deve-se normalmente ao facto de
se usarem produtos de limpeza, como por exemplo a lixívia, que causam
uma irritação nos olhos do animal, levando-o a lacrimejar com
abundância e consequentemente a queimar o pêlo.
Se for este o caso, mude de produto de limpeza ou utilize apenas
produtos especialmente concebidos para serem utilizados na limpeza e
desinfecção dos locais onde os animais se encontram.
Quanto ao pêlo queimado junto aos olhos, logo que o animal deixe de
lacrimejar, voltará lentamente ao normal. Se quiser acelerar o processo
de branqueamento, esfregue várias vezes ao dia a zona afectada com um
algodão embebido em soro fisiológico.
As orelhas
As orelhas devem ser examinadas periodicamente e, se notar a acumulação
de cerúmen,
é conveniente limpá-las.
Pode utilizar uma solução
ligeiramente ácida (uma colher de sopa de vinagre em meio copo de
água). Esse líquido é aplicado com uma cotonete, mas tenha cuidado
para que o animal não abane a cabeça na altura em que está a efectuar
a limpeza. A operação é em tudo semelhante à limpeza dos nossos
próprios ouvidos.
Todo o corrimento anormal ou aumento das secreções normais do ouvido
deve ser comunicado ao veterinário.
Os dentes
Enquanto cachorro, devemos vigiar a dentição do nosso Samoiedo a fim
de verificar se os dentes de leite caíram para dar lugar aos dentes
definitivos. Caso contrário, terão de ser extraídos.
Quando já tem a dentição adulta completa, convém escová-la com
regularidade a fim de impedir que se formem depósitos de tártaro, que
poderão causar a queda dos dentes.
A eliminação dos depósitos de
tártaro deve ser feita por um veterinário mediante instrumentos
apropriados, e é feita sob anestesia geral.
Uma boa higiene dental é indispensável para evitar a perda dos dentes
na velhice.
As glândulas
anais
Esta duas pequenas glândulas, situadas de um e de outro lado do ânus,
são provavelmente responsáveis por uma grande parte da venda de
desparasitantes.
O inchaço destas glândulas leva o animal a esfregar os quartos
traseiros no chão, o que acontece com uma certa frequência. Perante
este quadro, a maior parte dos proprietários vai a correr à farmácia
ou a uma loja de produtos para animais comprar um desparasitante,
convencidos de que o cão tem vermes. Como o tratamento acaba por não
dar resultado, recorre então ao veterinário que, com facilidade
esvazia as glândulas e assim alivia o animal.
Estas duas glândulas têm um canal excretor cuja abertura se situa ao
nível do ânus. Acontece frequentemente que partículas de matérias
fecais obstruem essas aberturas, provocando uma acumulação das
secreções das glândulas. Essa acumulação incomoda o animal que
tenta então esvaziar as glândulas esfregando os quartos traseiros no
chão. Por vezes consegue-o, mas nem sempre.
Nos casos em que a abertura continua entupida é preciso esvaziar as
glândulas de outra maneira, caso contrário pode surgir uma infecção
ou mesmo um abcesso no ânus.
Aproveite por exemplo a altura em que leva o seu Samoiedo ao
veterinário para dar o reforço anual das vacinas, e peça-lhe que
proceda à limpeza (desobstrução) destas glândulas. Não é uma
operação difícil de executar, mas o cheiro das secreções...
Atenção - Estas glândulas existem tanto no macho como na
fêmea.
As unhas
Os cães que vivem na rua ou que têm oportunidade de fazer bastante
exercício, raramente têm problemas com as unhas, uma vez que estas se
desgastam normalmente. Já com aqueles que estão em casa ou fazem pouco
exercício não acontece o mesmo e, por isso, é preciso cortá-las com
regularidade.
Unhas demasiado compridas podem causar deformações nos dedos. Além
disso, podem prender-se em qualquer coisa e serem arrancadas, provocando
grandes hemorragias.
Como cortar as unhas do Samoiedo? Quando são brancas (há Samoiedos com
unhas pretas) vê-se à transparência a polpa de carne, cortando-se
então a unha um pouco mais adiante da carne. No caso de as unhas serem
pretas, temos de cortar por aproximação. Devem cortar-se tiras
estreitas, até que a forma da tira indique a proximidade da polpa.
Se houver um acidente e se a polpa cortada sangrar, cauteriza-se com um
pau de nitrato de prata à venda nas farmácias. Os riscos de infecção
são praticamente nulos.
O instrumento ideal para cortar as unhas do seu Samoiedo é um
corta-unhas especial que podemos encontrar em qualquer hipermercado ou
loja de produtos para animais. Deve comprar um que seja sólido e
cortante.
As patas
Uma das características que distingue o nosso amigo Samoiedo das outras
raças nórdicas, é a de terem uma quantidade muito grande de pêlo
entre as almofadas dos dedos.
Este pêlo tem por finalidade evitar a
acumulação de gelo e ao mesmo tempo dar uma maior tracção nas
superfícies escorregadias.
No Samoiedo que faz exercício com alguma regularidade, este pêlo
desgasta-se naturalmente, mas, naqueles que têm uma vida sedentária, o
pêlo cresce de tal forma que cobre as almofadas, acabando não só por dificultar o andamento, como
por poder vir a causar deficiências
nos membros.
Não se esqueça de ir dando uma olhadela nas patas do seu Samoiedo. Se vir
que as almofadas estão cobertas de pêlo, corte-o com uma tesoura
normal, por forma a que fiquem totalmente a descoberto.
Cuidados a ter
com o Samoiedo idoso
Como é natural, todos os cuidados que recomendámos para o cão adulto,
aplicam-se também ao cão idoso. O nosso amigo Samoiedo pode ser
considerado idoso a partir dos sete ou oito anos de idade, uma vez que a sua
esperança de vida se situa entre os 12 e os 15 anos.
Devemos então proporcionar-lhe uma boa alimentação, limpeza e
exercício. O cão idoso é particularmente susceptível de contrair
certas doenças como: perturbações cardíacas ou renais, tumores, etc.
Estas doenças podem ter sintomas discretos até que de repente se
revelam com intensidade, por vezes, quando já é tarde de mais.
Esteja portanto atento aos hábitos do seu Samoiedo, a fim de dar
imediatamente conta de qualquer alteração no seu comportamento.
É altura de visitar com maior regularidade o veterinário, por exemplo
de seis em seis meses, uma vez que assim poderá permitir com maior
facilidade a detecção, ainda numa fase inicial, de doenças que possam
ser controladas.
Desde que nascem, os Samoiedos tudo fazem para nos contentar e dar
alegrias. Por vezes até ganham exposições ou provas importantes. Mas, quando
envelhecem, cabe-nos a nós dar-lhes tranquilidade e devolver-lhes todo
o amor que nos deram ao longo dos anos.
|