|
Sempre
que se analisa um Samoiedo, seja com que objectivo for, deve ter-se em
mente a situação muito particular em que esta raça se desenvolveu.
Durante muitos séculos, sob condições climatéricas extremamente
rigorosas que os obrigava a uma vida de isolamento quase total
relativamente a outras comunidades, homens e cães estavam condenados a
partilhar tudo: trabalho, casa, alimentos, defesa. Esta interdependência
acabou por uni-los numa única e grande família, onde o amor e respeito
mútuo eram tão profundos que acabaram por ditar a sorte da própria
raça.
Com efeito, estas tribos não permitiam que os seus cães cruzassem com
os lobos ou com os cães de outras tribos e, assim, se não realizaram
uma verdadeira selecção, pelo menos contribuíram para a fixação de
um tipo.
Só há uma raça
Samoiedo. As espécies pequenas de cães, vendidos
por vezes como miniaturas de Samoiedos, são híbridos, que em nada
podem ser comparados a um Samoiedo. O Samoiedo não está aparentado com qualquer outra
raça. Ele sempre se
reproduziu entre si e sempre mostrou o seu traço característico de
constituição e temperamento. Ele não tem igual.
Características
- Fisicamente, é o melhor concebido de todas as raças nórdicas.
Tem uma camada dupla de pêlo muito maior que os seus primos. O seu
pêlo comprido e branco-prateado de protecção, é rijo e repelente de
terra e água. A neve não se consegue amontoar sobre o pêlo e o cão
consegue sacudi-la facilmente. O pêlo comprido de protecção mantém-se
firme e deve manter-se espetado. O pêlo interior (subpêlo) é lanoso e
durante o Inverno é tão espesso que não se consegue meter o dedo até
tocar na pele.
O pêlo não deita cheiro a cão. O único cheiro que o Samoiedo tem é
um aroma almiscarado que é produzido entre as almofadas dos dedos dos
pés, e que lhe serve para assinalar o caminho.
Os profundos olhos castanhos estão colocados por detrás de umas
pálpebras pretas de forma amendoada que reduzem o efeito do brilho da neve.
Os pés estão desenhados de forma a que os dedos se estendam para fora,
como se fossem sapatos (raquetas) de neve, e têm uma quantidade muito
densa de pêlo entre as almofadas dos dedos como forma de evitarem a
acumulação de gelo. Este pêlo serve também para dar tracção nas
superfícies geladas e escorregadias.
A cauda curva é usada para cobrir o nariz durante o tempo extremamente
frio, actuando como um pré-filtro para aquecer e humidificar o ar que
inspira.
O peito é em forma de "V" pronunciado de maneira a suportar a
sua forte musculatura. O esqueleto é muito mais pesado do que seria de esperar para um cão do
seu tamanho, de forma a suportar os músculos que lhe dão a força para
rebocar cargas pesadas. Contudo, não é tão maciço que não seja
rápido e ágil.
Temperamento
- Se o clima e as funções que ao longo dos tempos lhe foram sendo
atribuídas influenciaram a morfologia do Samoiedo, também o seu
relacionamento social com as tribos que os criaram marcou
definitivamente o seu temperamento. A sua vida caseira no passado
reflecte-se no carácter de hoje.
Ele dormia com os donos e com as
crianças. As tendas (chooms) eram também o seu lar. Eles faziam parte
da família. Por isso, acorrente-o, ignore-o ou mantenha-o afastado da
família e vai ter um problema muito sério para resolver. Dê-lhe
afecto, conquiste-lhe o respeito, leve-o a passear, deixe-o partilhar a
sua casa e a sua vida, e trará ao de cima as características muito
especiais que esta raça possui. O Samoiedo é um cão muito alegre,
expressivo, vigilante, inteligente e cheio de energia.
O estalão inglês caracteriza-o de uma forma simples e ao mesmo tempo
magnífica quando afirma «Displays affection to all mankind». Os
americanos dizem que é o cão «with Christmas in it's face».
A alegria é mostrada pelo brilho nos olhos e, a curvatura para cima nos
cantos da boca dão-lhe o bem conhecido "sorriso de Samoiedo".
A inteligência do Samoiedo pode ser um desafio para o dono. A
adoração que sente pelo ser humano é a única maneira de controlar
a sua independência. Ele é um cão muito ciumento e que requer (exige)
a sua atenção a todo o momento. Ele é capaz de fazer todas as suas
vontades só para ter a sua atenção. Muita gente pergunta porque é
que tantos proprietários de Samoiedos têm imensos problemas com os
seus cães, enquanto que outros vivem numa perfeita harmonia. A resposta
está na maneira de lidar com eles. Nunca de uma forma brusca ou
agressiva, apenas e só, com compreensão, carinho e respeito mútuo. O
Samoiedo tem uma maneira de ser muito própria. Respeite-a e ele fará
tudo por si.
O Samoiedo pode ser a raça mais fácil de treinar, ou a
mais difícil de controlar. Tudo depende de como tratar a situação. No
passado o Samoiedo dependia de si mesmo. Ele aprendeu a tomar decisões
e a trabalhar independentemente do homem, para a sobrevivência do
próprio homem. Foi esta independência e noção de responsabilidade
que eles transmitiram aos seus descendentes de uma forma tão forte, que
ainda hoje rege o temperamento da raça.
Por isso não se surpreenda se ele sair disparado atrás de um coelho
apesar das suas ordens em contrário: o seu instinto de caçador ainda
é muito forte.
Não se surpreenda se vir um Samoiedo com o nariz no ar
a seguir uma pista: no gelo não existem odores. Para ele qualquer
cheiro é uma novidade. Nem se vê um Samoiedo aparentemente distraído
e sem ligar ao seu chamamento: está habituado aos grandes espaços e
portanto voltará.
Não se surpreenda se vir um Samoiedo defender até
ao fim algo de pouco valor ou o seu dono: ele sabe o importante que são
o pouco e a amizade, quando não se tem nada.
Não se surpreenda de ver
um velho Samoiedo que ainda brinca como se fosse um cachorro: as
crianças gostam assim.
Não se surpreenda por ver o seu Samoiedo
responder de imediato ao ser chamado por um estranho: ele está
habituado a receber e dar carinho a toda a gente.
Não se surpreenda por
ver o seu Samoiedo saudar as visitas da sua casa como o faz consigo:
para ele, a hospitalidade é uma atitude natural, já que, na sua terra
natal, negá-la a um recém-chegado podia significar condená-lo a
morrer de frio.
Não se surpreenda com nada. O Samoiedo é capaz de
tudo. As tribos da Sibéria fizeram-no assim. Aceite-o como é. Se
quer um cão para estar na varanda ou preso no quintal, que não exija
constantemente a sua atenção e carinho e que acate todos os seus
desejos sem pestanejar, escolha outra raça. Mas, se estiver disposto a
dar-lhe o seu tempo e amor, receberá o maior tesouro que quem gosta de
cães pode ter. Ser adorado por um. |